quinta-feira, 6 de maio de 2010

JORNAL DE HOJE



Tenho aqui em casa a assinatura de O Globo. Mas nunca resisto a olhar as manchetes dos outros jornais estampadas nas bancas, como o sol. Estou pensando em assinar novamente outros periódicos, até me acostumar a ler pela internet. Enquanto isso, vou publicando aqui pequenos comentários sobre notícias, frescas ou não, que encontro nas páginas de embrulhar peixe.
No Globo de hoje tem uma notícia com o seguinte título: "FIOCRUZ ENCONTRA VíRUS DA GASTROENTERITE NA LAGOA." E explica no lead, talvez tentando acalmar a enorme população que costuma mergulhar na linda paisagem: "Risco de contrair doença só existe, no entanto, se a água, que está
própria para o banho, for ingerida." Você, caro leitor, ficou mais tranquilo ao saber que pode dar seu mergulho sem riscos? Eu não. Pra começar, qualquer risco de contaminação em qualquer local público já deveria ser motivo para proibir o banho. Quanto a berber a água da Lagoa Rodrigo de Freitas, se tem alguém que o faz em sã consciência, tem que internar, não no hospital da própria, mas no sanatório mais próximo. E o risco de ingerir a água do cartão postal é inerente ao mergulho. Ou não? Tem uns caras que esquiam na Lagoa. Tem os pescadores. Tem os remadores. Para esses a ingestão da água é muito improvável. Conhecem muito bem o perigo que correm. Mas nunca ví banhista algum por lá, com excessão dos loucos e mendigos. Eu jamais imaginei que a Lagoa estivesse "própria para o banho". Acho que o último que viveu essa aventura foi o Tom Jobim. Basta observar oas esgotos que chegam nela por diversas canalizações. No dia daquele temporal do Bumba, vi uma cena mostrada por um dos helicópteros que sobrevoavam a região: na saída dos rios e canais que a alimentam formavam-se enormes manchas amarelas, em contraste com o azul já bastante sinstro da Lagoa transbordada. Eram como baloons, cujo texto poderia ser: lixo, lama e merda! Tudo continua indo para lá. Por que não divulgam o mapa do escoamento de esgotos da zona sul, ou melhor, da cidade inteira? Essa caixa preta poderia detonar um trabalho consistente para, a partir do conhecimento das causas do desastre ecológico que assola o Rio de Janeiro desde sempre, solucionar de uma vez por todas o saneamento, não só da Lagoa Rodrigo de Freitas e suas congêneres, mas também da Baía de Guanabara.