segunda-feira, 1 de março de 2010

TÁ NO DNA!!!

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JÁ PENSOU SE ELA LIGA PRA AL QUAEDA?


Quem nunca pensou em explodir a escola, com todos os professores e alguns coleguinhas dentro? Durante os 18 anos, em média, em que frequentamos bancos escolares, tivemos as mais diversas oportunidades para rogar uma praga demolidora em tudo e em todos: bronca da professora, notas baixas, castigos, suspensões, delações... Chegar em casa com uma anotação na caderneta, que o pai tinha que assinar, era entrar num dilema terrível: suicidar-se ou explodir a escola! Apesar da fama de bagunceiro, eu era um aluno comportado, pelo menos no período que ainda me lembro. Fui suspenso apenas uma vez, mais por não entregar os amigos do que por ter feito alguma arte. E mesmo assim por um azar danado, vejam vocês: eu cursei o primeiro ano ginasial no Colégio Estadual Rivadávia Correia, na Central do Brasil. Ele existe até hoje, um prédio azul e branco na Av. Presidente Vargas. Estudava no período da tarde, pois era uma longa viagem do Leblon até lá. Naquele dia, o pessoal que morava no Leblon ia num ônibus da linha 415, Usina-Leblon, que "voava" pelo recém-inaugurado Aterro do Flamengo. Quando passou por nós um dos ônibus que partiam de Copacabana, com o pessoal de lá, deu-se um pega e as turmas de cada bairro promoveram uma guerra de lanches, onde voaram frutas, sanduiches e garrafas de suco de um coletivo para o outro. O de Copacabana venceu a corrida e chegou antes na porta da escola. Quando descemos do nosso bólido, a mais terrível inspetora estava nos esperando na porta para reter a caderneta - ela morava em Copacabana! No meio da aula, fui chamado para a sala da diretora e pressionado a dar os nomes dos demais que estavam no nosso ônibus, o que eu recusei: não tinha mais ninguém, só eu.
- Mas eu ví que tinha mais!
- Então a senhora sabe quem eram. Eu estava na janela, não vi ninguém, nem joguei nada no outro ônibus porque não trago lanche pra escola.

Fui o único punido com suspensão, mas virei um ídolo, um exemplo de lealdade. A vontade de explodir aquele belo prédio, que já deve estar se aproximando do centenário, quase me transformou num terrorista. Com certeza, aí nasceu a vontade de explodir colégios e faculdades, cursos de línguas, academias de ginástica, escolas de música etcetcetc. Quando ouvi a menininha do vídeo negociando a destruição de sua escola, não pude resistir a essas lembranças. Cada vez mais me sinto incluído na raça humana.