HURRICANE SMITH - DON'T LET IT DIE!
Quando ficamos aparvalhados - o homem é o único animal que consegue ficar aparvalhado, que deve significar "espanto perante a natureza"- com a mega chuva que anda caindo meio exagerada, como se o galego do botequim tivesse depositado no mesmo dia todos os seus cheques de pendura, num temporal atemporal, vemos que alguns prestavam atenção ao que acontecia na sociedade capitalista muito antes da supremacia financista. Muita gente já combatia a devastação da natureza em forma de exploração "produtiva". É justa a preocupação com os oceanos nesses tempos de exploração do pre-sal, que entrou na ordem do dia este ano. Como sempre foi justa a atuação dos ecologistas contra o desmatamento das florestas, a aniquilação da fauna silvestre, o massagre de animais para fabricação dos mais injustificáveis símbolos de riqueza, a criação de subvidas em cativeiro para consumo - a raça humana realmente não presta. Ou presta? Aí vemos exemplos como esse: Normam Smith, produtor de alguns dos primeiros discos dos Beatles e do Pink Floyd antes de virar cantor, fez relativo sucesso com essa música nos anos 70 e já nos advertia sobre isso. John Lennon o apelidou de Normal Smith. Isso 10 anos antes do surgimento do Greenpeace, que, por incrível que pareça, foi fundado em 1971, já tem 38 anos de luta corajosa contra a estupidez humana. Chegou ao Brasil em 1992, a bordo de seu navio Rainbow Warrior para participar da ECO 92 no Rio de Janeiro - sempre ele - e cravaram 800 cruzes no pátio da usina nuclear em Angra dos Reis. Mesmo com essa enorme estrada, por que quando vemos sua atuação em manchete, pensamos que o movimento é coisa recente? Porque cada vez mais cresce a luta em defeza da natureza e, como pouco se faz nesse sentido, pensamos sempre que é novidade, e, consequentemente, moda, quer dizer, vai passar. Paulinho da Viola, em 1975, criou e gravou um samba enredo chamado Amor à Natureza, que virou hino da luta brasileira contra a devastação da Floresta Amazônica e pela preservação do pouco que nos restou da Mata Atlântica - esqueçam a Claudia Ohana por um minuto, please... E não tenho visto muita coisa com relação a isto nos planos que estão sendo divulgados para a preparação da Copa de 2014 (alguém se lembra ainda de que antes de 2016 vai ter um evento legal que vai acontecer no Maracanã e em outros estádios menos votados e não será um show da Madona?) muito menos para a Olimpíada dois anos depois. A única ecologia mencionada foi a limpeza da Baía de Guanabara - poluída desde Cabral, o primeiro, já que na época não contávamos com banheiros químicos para recepcionar os turistas - e das lagoas da Barra da Tijuca, poluídas desde que o primeiro cearense abriu uma barraca de água de côco em São Conrado, lá pelo século XVI. Se conseguirmos fazer isso já ajudaria muito, pois a única forma de evitar o despejo de esgotos na baía é sanear todos os bairros que se aproveitam dos canais - ex-rios deste paraíso onde moramos - o que significaria transformar em civilização 90% do subúrbio do Rio de Janeiro. Com certeza, gerando informação, educação e saúde para milhões de cariocas, da gema ou não. Lembrem-se que, no atual panorama da cidade, a eliminação de fatores que proporcionam doença é ganhar muita saúde! Quanto às lagoas da Barra da Tijuca, vergonha na cara e multa em cima das construtoras que não se envergonham de resolver o problema do cocô da classe média com alguns metros de tubos, obrigar as constutoras e incorporadoras a refazer os projetos com estações de saneamento da água, antes de devolver esse mar de lama fedorenta às lagoas e praias. E, claro, através de uma dura legislaçao, impedir a continuação desses absurdos. Se, ao invés de ficarmos pensando em metrô, piscinas em praças públicas e mais um monte de confortos "olímpicos", como se construir pistas de atletismo a torto e a direito fosse nos transformar em medalhistas - nós conseguirmos esse legado ecológico, já poderíamos levar a mais bela medalha de ouro.