sábado, 6 de março de 2010

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LIFE GODS Gilberto Gil & Marisa Monte

0 poema tem a seguite história:
77 nomes foram sampleados da revista LIFE, edição de december, 1990. Os nomes ornamentavam a matéria principal daquele número: Who's God?
O audio-visual foi sampleado de um VHS com programações audio-visuais catalogados pelo Studio K7! - Berlim

Informação adicional
O Projeto foi iniciado em janeiro de 1991, com a formatação do Sampled-Poem "GODS", um quebra-cabeças (bricolage) gerado a partir de cut-ups dos vários nomes de "Deus" e entidades divinas publicados em vários idiomas e dialetos na edição de dezembro de 1990 da Revista LIFE.
Na matéria de capa desta edição de fim de ano, intitulada "Whos's God?", havia um glossário com inúmeros nomes de divindades religiosas, do qual foram extraídos, os 77 nomes que acabaram gerando o poema da canção.
Os nomes foram inicialmente colados em peças de um Mah-Jong que durante meses foram trocando de lugar, até surgir um conjunto metrificado compatível com o metrônomo da música.
Pronto o poema, estávamos diante de uma peça poliglotímica, incapaz de ser decifrada por muita gente, tanto eram os idiomas e dialetos nela misturados. Entretanto, tal hieroglifo tinha uma característica excepcional: uma vez explicado o leit-motif de sua construção, seu entendimento e sua compreenção se tornavam imediata e totalmente inteligíveis.
O que mais impressiona nesta canção é o fato de que ao cantá-la se está automaticamente invocando o nome de Deus, tornando a peça musical uma espécie de oração ecumênica, absolutamente pacifista e própria para incentivar e fortalecer espiritualmente eventos humanitários.

FONTE: http://www.pjmaringa.com.br/v9/pj-tube/viewvideo/512/musical/life-gods-gilberto-gil-a-marisa-monte.html

sexta-feira, 5 de março de 2010

MÚSICAS NA PASSARELA: A BELA DO DIA

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SEU CHOPIN, DESCULPE - JOHNNY ALF E CHICO BUARQUE

Certos artistas são tão grandes, tão intensos, tão maravilhosos que a gente pensa que eles são eternos. E não aprendemos com os que se vão, as obras deixadas não permite que sejam considerados mortos. Hoje abro o jornal e dou de cara com o obituário do Johnny Alf. E a primeira conclusão que me veio é que no andar de cima a coisa está ficando muito melhor do que aqui. O precursor da Bossa Nova, que a levou para Sumpaulo, que não o devolveu mais, talvez seja o mais importante compositor do período pré-pós-bossa. Tão importante quanto Noel Rosa, Pixinguinha, Caimmy e Ary Barroso. Para ficar só em nosso quarteto fantástico.
Johnny Alf e Tom Jobim eram contemporânos. Aprendiam um com o outro. Eram músicos da noite. A diferença entre eles, que a noite intercalou os intervalos para que um desse uma espiada no que o outro estava tocando...: Tom entrou para a história da música brasileira como um dos inventores da Bossa Nova e o Johnny como o precursor do gênero.
Ele era mais novo que o Tom, que teria hoje oitenta e três anos. Johnny partiu com 80. Chama-lo de "precursor" teria sido uma homenagem ou um prêmio de consolação? Não interessa mais. Johnny se foi levando consigo a solidão que tantas vezes cantou em suas músicas. E também a luz de um gênio.

segunda-feira, 1 de março de 2010

TÁ NO DNA!!!

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JÁ PENSOU SE ELA LIGA PRA AL QUAEDA?


Quem nunca pensou em explodir a escola, com todos os professores e alguns coleguinhas dentro? Durante os 18 anos, em média, em que frequentamos bancos escolares, tivemos as mais diversas oportunidades para rogar uma praga demolidora em tudo e em todos: bronca da professora, notas baixas, castigos, suspensões, delações... Chegar em casa com uma anotação na caderneta, que o pai tinha que assinar, era entrar num dilema terrível: suicidar-se ou explodir a escola! Apesar da fama de bagunceiro, eu era um aluno comportado, pelo menos no período que ainda me lembro. Fui suspenso apenas uma vez, mais por não entregar os amigos do que por ter feito alguma arte. E mesmo assim por um azar danado, vejam vocês: eu cursei o primeiro ano ginasial no Colégio Estadual Rivadávia Correia, na Central do Brasil. Ele existe até hoje, um prédio azul e branco na Av. Presidente Vargas. Estudava no período da tarde, pois era uma longa viagem do Leblon até lá. Naquele dia, o pessoal que morava no Leblon ia num ônibus da linha 415, Usina-Leblon, que "voava" pelo recém-inaugurado Aterro do Flamengo. Quando passou por nós um dos ônibus que partiam de Copacabana, com o pessoal de lá, deu-se um pega e as turmas de cada bairro promoveram uma guerra de lanches, onde voaram frutas, sanduiches e garrafas de suco de um coletivo para o outro. O de Copacabana venceu a corrida e chegou antes na porta da escola. Quando descemos do nosso bólido, a mais terrível inspetora estava nos esperando na porta para reter a caderneta - ela morava em Copacabana! No meio da aula, fui chamado para a sala da diretora e pressionado a dar os nomes dos demais que estavam no nosso ônibus, o que eu recusei: não tinha mais ninguém, só eu.
- Mas eu ví que tinha mais!
- Então a senhora sabe quem eram. Eu estava na janela, não vi ninguém, nem joguei nada no outro ônibus porque não trago lanche pra escola.

Fui o único punido com suspensão, mas virei um ídolo, um exemplo de lealdade. A vontade de explodir aquele belo prédio, que já deve estar se aproximando do centenário, quase me transformou num terrorista. Com certeza, aí nasceu a vontade de explodir colégios e faculdades, cursos de línguas, academias de ginástica, escolas de música etcetcetc. Quando ouvi a menininha do vídeo negociando a destruição de sua escola, não pude resistir a essas lembranças. Cada vez mais me sinto incluído na raça humana.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O REPELENTE DOS PESCADORES


É isso aí, gente, acabou o carnaval. Vamos tratar de nos proteger contra o resto do ano. Essa receita, que não é a federal ainda, recebi do Zé Mei. Não posso garantir o sucesso porque não sou cientista, médico ou coisa parecida. Mas o Vampiro também não é e virou ministro da saúde... Vou testar pra ver se dá certo. Se levar uma picada do mosquito, espero continuar vivo para contar a história e esculhambar a tal de medicina popular. Acontece que eu nunca ouvi dizer que pescador tenha contraído a dengue. Será verdade? Durante uma boa temporada frequentei Armação dos Búzios, comprava nas peixarias, bebia no Bar dos Pescadores (antes da fama) e não me lembro de nenhum relato de caso de dengue entre eles. E a região é uma reserva natural de mosquitos, um verdadeiro oasis para eles e inferno inferno para nós. Cansou de liderar as estatísticas estaduais de infectados. Mas eu também nunca peguei, talvez pelo consumo de um dos elementos da receita. Bato na madeira...

"DENGUE I: FAÇA O REPELENTE DOS PESCADORES EM CASA:

1/2 litro de álcool;

- 1 pacote de cravo da Índia (10 gr);

- 1 vidro de óleo de nenê (100ml)

Deixe o cravo curtindo no álcool uns 4 dias agitando, cedo e de tarde;

Depois coloque o óleo corporal (pode ser de amêndoas, camomila, erva-doce, aloe vera).

Passe só uma gota no braço e pernas e o mosquito foge do cômodo. O cravo espanta formigas da cozinha e dos eletrônicos, espanta as pulgas dos animais.

O repelente evita que o mosquito sugue o sangue, assim, ele não consegue maturar os ovos e atrapalha a postura, vai diminuindo a proliferação. A comunidade toda tem de usar, como num mutirão. Não forneça sangue para o aedes aegypti!"



sábado, 27 de fevereiro de 2010

A CICLOVIA PAULISTA

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

NOVO TURFE

QUE POTRANCAS!!!

TÚNEL DO TEMPO

Ficou todo mundo reclamando do calor, que o sol estava quente demais, que o planeta está se aquecendo demais, que nunca nesse país... Aí fiz uma visitinha no site do Ziraldo no UOL e veja só o que encontrei - esses cartuns de 1975 (acima) e 1977 (abaixo)...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O cidadão tá numa dureza danada, acorda de madrugada, vai pra fábrica de sapatos, de oito a doze horas cheirando a couro e cola de sapateiro, ouvindo máquinas costurando, almoça uma marmita requentada, volta pra casa, vê a novela, bebe uma pinga e dorme. Sonha com a megasena, sabe que um dia vai ganhar, sua avó lhe confirmou, em sonhos, muitos deles, que os números das dezenas das datas de nascimento dele, da mulher e dos filhos - quatro - era batata, um dia ia sair porque o pastor da igreja lhe garantiu que o seu senhor era fiel. Toda manhã, mesmo no inverno congelante de Novo Hamburgo, ele acordava suado, rezava um padrenosso e uma avemaria antes mesmo de acender o primeiro cigarro, que fumava ainda em jejum. Não podia esquecer de fazer o jogo, que estava ficando caro demais pro seu salário. Mas era batata, Vovó Gertrudes sabia o que dizia, já estava lá, ocupando seu lugar ao lado do Homem! Toda semana entrava na loja lotérica Esquina da Sorte e fazia o mesmo jogo. Um dia, como tinha vendido a bicicleta porque agora tinha o cartão do vale-transporte, estava com um troco no bolso, resolveu ajudar o esforço da vovó e comprar o bolão que a Diane sempre lhe oferecia toda a vez que ia fazer o jogo. Foi pra casa com os dois recibos, o do bolão da Esquina da Sorte e o do jogo da Vovó.
Aconteceu que não sonhou mais com a simpática velhinha. Ele era seu neto favorito, o que lhe buscava as pantufas, ligava o rádio, essas coisas que fazemos para as vovós, quando elas querem. E fazia uma sopa deliciosa. Mas não sonhou mais com ela e foi ficando preocupado - será que ela estava zangada por ele ter comprado a cota do bolão, um jogo proibido pela Caixa Econômica Federal, a dona das Loterias oficiais? Será que ela pensou que ele não fazia fé no taco dela, no seu poder de conseguir as coisas com jeitinho? Será que ela nunca mais ia aparecer em seus sonhos pra dar aquela força? Nem trabalhava mais direito, perdeu a fome, não dormia. Foram alguns dias de insônia, a mulher pensando que era alguma sirigaita que andava ciscando em seu terreiro, os filhos levando uns cascudos à toinha, barba por fazer. Aí, o sábado chegou e a loteria sorteou os números e ele descobriu que era um dos 23 compradores do bolão da Diane. Só podia ter sido conselho que o chefão lá de cima deu pra vovó, mandou ela fazer com que eu comprasse o bolão que ele ia dar o jeitinho, mas tinha que ser com mais gente, senão pegava mal. Pra ele ganhar sozinho não dava não, isso era trabalho do inimigo! Era domingo, fez a barba, vestiu seu terno de missa, acordou a família e foram em fila indiana, pelo acostamento, pro grande templo. Não disse nada a ninguém mas queria agradecer à Vovó. Quando saíram, quis dar uma passadinha no shopping "pra olhar as vitrines". Seus olhos brilhavam a cada calça de microfibra, cada tênis americano, cada relógio dourado. Queria resolver na hora mas não podia ainda, como comprar antes de receber o prêmio? Nem cartão de crédito tinha mais!
Segunda-feira, o dia D!

Acordou mais tarde do que de costume e rumou pra Esquina da Sorte, que esperou abrir com mais alguns felizardos, que já até tinham gastado por conta. Mas nada da loja abrir. Não tinha levado a marmita, ia almoçar na churrascaria mais cara da cidade! Foi pra agência da Caixa e esperou também. Foi falar com o Gerente, queria abrir uma poupança que ele pudesse sacar quando bem quisesse. Foi quando soube que não houve ganhadores naquele sorteio - ficou acumulado! E agora? Como pode? O dono da loja lotérica lamentou: o jogo não foi feito. Foi falha humana - a funcionária esqueceu de registrar os jogos do bolão no sistema. A funcionária? Quem? A Diane? Aquela morena que eu queria pra casar e fugir pro Uruguai assim que botasse a mão na bolada? Toda a semana eu dizia isso pra ela, que ria e respondia: boa sorte! Tem só 21 anos, e daí? Eu tenho mais de cinquenta mas tô forte ainda, com esse dinheiro todo no bolso então... E agora? Querem matar ela! Querem que ela vire cinquenta e dois milhões de reais! Como pôde? Pôde. É claro que pôde.
Tenho certeza absoluta que é coisa da vovó Gertrudes...

INFERNO ASTRAL

"PRA QUEM GOSTA DE UM BELO TEXTO"

"Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... Casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... Tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... Era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!.. – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...

Que saudade do compadre e da comadre!"


ZÉ MEI manda notícias da paulicéia: o PSDB vai dar um golpe de mestre! Aguarde! Fiquei seriamente preocupado: o que será que o Vampiro está aprontando dessa vez? Um novo programa para afogamento de deficientes físicos, ou melhor, pessoas portadoras de necessidades especiais? Vai ter que arrumar pra todo mundo de lá, pois todos os paulistas andam precisando de necessidades especiais (ou melhor, falando na linguagem local ou roaming: duas "necessidade especial"): um governador pro estado e um prefeito pra capital. Imagino que a grande novidade seja o Vampiro pro segundo mandato e a estréia do Aécio na lista dos perdedores da dupla PsDemb. Mas vamos deixar esse assunto pra depois, temos muito tempo, não é, Vampirão?

Junto com a tal surpresa ameaçadora, Zé Mei mandou esse texto falando dos efeitos colaterais da tecnologia.

O texto é muito mais bonito que a realidade. Já faz tempo que não se vai a pé pra lugar nenhum. Ainda peguei os últimos bondes ou o trólei, o chifrudo ou “assassino silencioso”, pois em algumas ruas de mão única para os carros ele andava na contramão e como era elétrico, não fazia barulho nem soltava fumaça, se algum incauto sisquecesse de olhar pros dois lados, babau!

A televisão também já tinha chegado mas ainda não tinha programado efeitos tão colaterais: não atrapalhava ainda a visitação, tanto de parentes como de amigos ou vizinhos. Acho que até estimulava. A censura etária era exercida pelos nossos pais mesmo, apesar da programação ainda não assumir a função de “sexual personal trainer” como as novelas dais seis, sete, nove ou dez de hoje em dia. Quer ver a melhor sacanagem? Liga a televisão no horário das novelas! Muito mais interessante do que assistir a um filme pornô de verdade, daqueles de quarto de motel. Sexo só é bom com historinha, imoral ou pervertida, como bem nos ensinou Nelson Rodrigues. Mas a realidade a que me refiro, mesmo naquela época, era a "satisfação" de receber uma visita noturna sem aviso - e um monte de gente, só faltava o cachorro! Não era bem assim...

Alguém da família tinha que se ausentar sorrateiramente, correr até a padaria antes que fechasse e comprar pão quase fresco, refrigerantes pras crianças, cervejas pros adultos... Era uma trabalheira! As crianças ficavam segurando o riso com os dedinhos, de saco cheio! As mães mais modernas permitiam que fossem brincar na calçada ou no quarto "das meninas"! Mas de vez em quando ia lá dar uma espiadinha, à guisa de mostrar um novo vestidinho que tinha comprado pra Vandinha. Os rapazes sempre davam um jeito de jogar uma bolinha, de meia ou de gude, no quintal da casa ou no corredor do prédio. Ou um bafo-bafo. Sempre saía porrada. E na hora de ir embora, os que ficavam fofocavam sobre o vestido "demodé" da comadre, a empáfia do cumpadre porque foi promovido na repartição - e ía comprar um carro, grande, praquela gente toda. Só as crianças eram honestas: o que tinham que falar, falavam na lata. Levavam uns tabefes por isso, criança não tinha direito à opinião. Mas opinavam, algumas. Outras iam guardando suas reminiscências que as transformariam em adultos irrascíveis, ou simpáticos pedófilos ou até serial killers. Quem sabe, síndicos que não largam o osso? Ou torturadores. Tá certo, estou exagerando, mas só um pouco, é o inferno astral. Daqui até o aniversário, um mal humor digno daquele sargento do Recruta Zero.

Não tinha coisa boa? Tinha: o cachorro-quente!

Zé Mei me mandou o texto sem mencionar o autor. Acho que foi ele mesmo quem escreveu tão poético retrato da classe média brasileira.

Poetas, como os guitarristas, são assim mesmo...


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

LEGISLANDO EM CAUSA PRÓPRIA

Lei Mário, da Penha

LEI Nº 11.069, DE 25 DE JULHO DE 2009.

Regulamenta o direito e as obrigações dos casais.

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos


O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Todo desejo do marido é uma ordem.

Parágrafo Único - É obrigação da esposa adivinhar todos os desejos do marido.

Art. 2º Fica assegurada à mulher a liberdade de expressar sua opinião.

Parágrafo 1. O marido não é obrigado a ouvi-la.

Parágrafo 2. Caso a opinião possa ser aproveitada, o marido assume automaticamente a autoria da mesma.

Art. 3º É facultado a esposa dizer a última palavra, desde que seja uma das três abaixo mencionadas:

Parágrafo 1: " Pra dentro menino"

Parágrafo 2: "Xô galinha"

Parágrafo 3: "Sim senhor", ou algo equivalente.

Art. 4º É facultado ao marido conviver em regime matrimonial com tantas mulheres quantas as que ele possa sustentar. (Em análise para ser Vetado)

Art. 5º É dever da esposa que trabalha ou que tenha fonte de renda de qualquer natureza, entregar toda remuneração ao marido, para que este a administre com a inteligência que somente a ele é peculiar.

Art. 6º Ficam garantidas: cinco noites, duas manhãs e três tardes livres, por semana, para o marido jogar futebol, beber com os amigos ou qualquer atividade exigida por sua condição de macho e predador, sem satisfação à mulher.

Parágrafo Único. Em carácter compensatório, pode a mulher assistir por três vezes uma telenovela noturna, desde que não coincida com o horário jornalístico ou futebolístico, isto, se todo o trabalho doméstico estiver dentro dos conformes estipulados pelo marido..

Art. 7º A partir desta data, a esposa ou assemelhada, mesmo que eventual, passa a ser chamada de 'MULHER', e esta poderá, caso permitido pelo marido, tratá-lo por 'VOCÊ', porém, somente em casa e nunca em público, onde o tratamento deverá ser, obrigatoriamente, 'QUERIDO ou AMORZINHO ou O SENHOR ou MEU AMO'.

Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 07 de outubro de 2009; 188o da Independência e 121o da República.

ZÉ MEI

obs: Publiquei essa postagem com o "decreto" do Zé Mei em outubro no meu blog Poetagem, onde só publico meus poemas. Hoje estava passeando por lá e achei muito estranho essa postagem ali. Trouxe para o Ciclovia, nem verifiquei se tinha publicado aqui também. Salut!